

Créditos: Arquivo CREA-RS
À frente da Coordenadoria de Câmaras Especializadas de Engenharia de Segurança do Trabalho (CCEEST), o eng. mec. e de seg. trab. Diego Rosa dos Santos (Crea-MA) defende o fortalecimento da formação dos engenheiros de segurança do trabalho, o respeito às atribuições profissionais e o aprimoramento das ações de fiscalização do Sistema Confea/Crea como caminhos para ampliar a proteção aos trabalhadores e reduzir os acidentes de trabalho no país.
Engenheiro mecânico, engenheiro de segurança do trabalho e professor mestre, Diego Rosa dos Santos atua na formação e no aperfeiçoamento de profissionais da área. Especialista em projetos mecânicos com ênfase em estruturas metálicas e sistemas de bombeamento e tanques, é também consultor em serviços especializados de engenharia de segurança do trabalho, perito assistente, coordenador de pós-graduação e membro da Rede Unisustentável.
1 - Confea – Quais foram os pontos principais discutidos pela coordenadoria ao longo do 15º Encontro de Líderes do Sistema Confea/Crea?
Durante o 15º Encontro de Líderes foram cumpridas as etapas formais, como aprovação da minuta, eleição e definição do plano de trabalho. Entre os principais temas discutidos estiveram os eixos prioritários do Confea, especialmente fiscalização e uso de tecnologia nas atividades finalísticas, além de pautas específicas da área de Engenharia de Segurança do Trabalho. Nesse contexto, foram debatidos o aperfeiçoamento da legislação sobre especialização e concessão de título profissional, com base na Lei nº 7.410 e no artigo 119, os conflitos de atuação com outros conselhos profissionais na área de segurança do trabalho e a continuidade das parcerias com o Ministério do Trabalho para fiscalização das normas de segurança por meio de acordos firmados com alguns Creas.
2 - Confea – A entrega de ações de fiscalização de alto valor e relevância, em âmbito nacional, é um propósito permanente do Sistema Confea/Crea. De que forma a coordenadoria pretende atuar para qualificar esses processos, incorporando novas tecnologias e soluções inovadoras à fiscalização?
A coordenadoria, que conta com o eng. prod. e de seg. trab. Willy Chagas Santana como coordenador adjunto, defende que a qualificação da fiscalização depende de um processo contínuo de modernização, com incorporação de novas tecnologias e soluções inovadoras. Entre as ferramentas que podem ampliar a eficiência das ações estão inteligência artificial, mineração de dados, georreferenciamento, uso de drones e plataformas digitais para gestão e análise dos processos de fiscalização. Também foi destacada a importância da integração entre o Confea/Creas com órgãos como o Ministério do Trabalho e o Ministério Público do Trabalho, por meio de convênios e diálogo institucional, especialmente na área de segurança do trabalho, ampliando o alcance das ações e contribuindo para a proteção dos profissionais e da sociedade.
3 - Confea – A atual gestão do Confea tem incentivado a engenharia brasileira a se aproximar da realidade social do país, identificando nesse diálogo um caminho para aprimorar a infraestrutura nacional. De que forma a coordenadoria pretende atuar para contribuir efetivamente na mitigação dos problemas que afetam a população brasileira?
A coordenadoria entende que aproximar a engenharia da realidade social brasileira exige reconhecer que o desenvolvimento da infraestrutura deve estar sempre associado à proteção da vida, da saúde dos trabalhadores e à segurança da sociedade.
Diante dos elevados índices de acidentes de trabalho no país, frequentemente relacionados a condições inadequadas em obras, atividades produtivas diversas e à informalidade, que agrava ainda mais esse cenário, torna-se essencial fortalecer as ações de prevenção. Soma-se a isso o fato de que muitas regiões ainda carecem de infraestrutura básica, enquanto outras demandam manutenção e melhorias constantes.
Nesse contexto, a atuação da coordenadoria tem se concentrado no fortalecimento das diretrizes de segurança do trabalho e na intensificação da fiscalização preventiva. O objetivo é contribuir para a melhoria da infraestrutura nacional, assegurando que obras e serviços sejam executados com responsabilidade técnica e segurança, protegendo trabalhadores e a sociedade.
A expectativa é que esse esforço contribua não apenas para o avanço da infraestrutura brasileira, mas também para reduzir os índices de acidentes e fatalidades no trabalho. A meta é simples e essencial: que o trabalhador saia para exercer sua atividade e retorne para casa com saúde e segurança.
4 - Confea – Outro eixo prioritário do Confea tem sido a reconexão com os jovens estudantes, diante da queda acentuada do interesse pela engenharia. Na sua avaliação, que estratégias são essenciais para enfrentar esse cenário preocupante, que pode colocar em risco a execução de programas estratégicos para o Brasil?
A redução do interesse dos jovens pela engenharia é um tema que merece atenção do Sistema Confea/Crea, já que a engenharia é uma das bases estruturantes do desenvolvimento nacional. Áreas como infraestrutura, indústria, mobilidade, energia, inovação tecnológica, qualidade de vida e segurança do trabalho dependem diretamente da atuação desses profissionais. Diante da queda no número de engenheiros formados e qualificados, torna-se preocupante pensar no futuro do país sem fortalecer essa área.
Precisamos aproximar os estudantes dessa realidade e incentivar o interesse pela engenharia. Para isso, é fundamental atuar desde a base, com ações voltadas aos jovens ainda no ensino fundamental e médio, ampliando a divulgação da profissão e mostrando sua relação direta com o desenvolvimento do país.
Ao difundir esse conhecimento e fortalecer essa conexão com as novas gerações, será possível estimular a formação de novos engenheiros e reverter a atual tendência de queda no número de profissionais formados e qualificados para atender às demandas nacionais. Nesse contexto, a engenharia de segurança do trabalho ocupa uma posição de destaque, pois atua diretamente na proteção dos trabalhadores e na promoção de ambientes laborais mais seguros, beneficiando não apenas os profissionais da área técnica, mas toda a sociedade.
Assim, o Sistema Confea/Crea tem um papel fundamental no fortalecimento dessa aproximação com os jovens e no estímulo à formação de profissionais qualificados, contribuindo para que essa curva volte a crescer.
5 - Confea – Qual legado a coordenadoria pretende deixar para os profissionais e para o Sistema a partir do trabalho desenvolvido em 2026?
Como representante da Coordenadoria das Câmaras Especializadas de Engenharia de Segurança do Trabalho, a expectativa para 2026 é fortalecer a formação dos profissionais da área, que ocorre principalmente por meio da pós-graduação. A coordenadoria pretende atuar na defesa e no aprimoramento da legislação específica que regula essa formação, diante das mudanças e flexibilizações observadas nos últimos anos, que tem comprometido a qualidade da formação dos profissionais que estão entrando no mercado de trabalho. A segurança do trabalho protege todos os trabalhadores. Não se trata apenas de uma atribuição técnica da engenharia, mas também de um compromisso direto com a responsabilidade social e com a preservação da vida.
Outro ponto prioritário é garantir o respeito às atribuições profissionais, evitando o sombreamento de competências por outras categorias, além de aprimorar as ações de fiscalização. Nesse sentido, está prevista a revisão e o fortalecimento do Plano Nacional de Fiscalização, com o objetivo de ampliar a atuação do Sistema Confea/Crea e contribuir para a redução dos acidentes de trabalho. uma vez que para além da engenharia trabalhamos com responsabilidade social.
A coordenadoria também se manterá atenta às demandas e desafios da segurança do trabalho no país, sempre alinhada aos eixos prioritários do Confea, buscando desenvolver um trabalho integrado com representantes de todos os estados para fortalecer as ações fiscalizatórias e promover mais segurança para os trabalhadores e para a sociedade
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