

Créditos: Sto Rei e DBrothers/Confea
Cinquenta municípios foram impactados pelo programa Mais Engenharia. São 700 mil metros quadrados projetados, distribuídos em 317 projetos que beneficiam 350 mil habitantes. Ao todo, 137 empreendimentos estão sendo desenvolvidos. O Programa Mais Engenharia é uma iniciativa construída por meio de parceria entre o Crea-PR, a Itaipu Binacional e a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) e foi um dos painéis de destaque da programação da 81ª Semana Oficial da Engenharia e da Agronomia (Soea) desta quarta-feira (14/10).
Presidente do Crea-PR, Clodomir Ascari ressaltou que o Mais Engenharia nasceu a partir da identificação de um desafio comum em diversos municípios: a existência de recursos e oportunidades de financiamento, mas sem equipes técnicas suficientes para transformar essas oportunidades em projetos estruturados. A resposta foi a criação de um modelo que reúne capacitação, especialização, mentoria, equipamentos e apoio técnico permanente para fortalecer a engenharia pública municipal.
Coordenador executivo da Universidade Corporativa da Itaipu, Haralan Elias Melo Mucelini destacou o orgulho da instituição em participar da iniciativa, que considera um modelo inovador de engenharia pública voltada ao desenvolvimento regional. Segundo ele, ao longo de sua história a Itaipu sempre investiu nos municípios impactados pela implantação da usina, mas identificou que muitas cidades encontravam dificuldades para elaborar projetos técnicos e, consequentemente, captar recursos disponíveis para investimentos.
Foi nesse contexto que surgiu a parceria com o Crea-PR. “Quando veio a proposta de capacitar profissionais para atuar nos municípios, desenvolvendo projetos e ajudando a transformar oportunidades em investimentos concretos, a iniciativa encantou a diretoria da Itaipu”, afirmou. O coordenador ressaltou ainda que os resultados já demonstram a eficiência do modelo. De acordo com ele, conforme os resultados até agora, para cada real investido pela Itaipu no Programa, os municípios já conseguiram captar cerca de oito reais em recursos para obras e projetos.
O reitor da UEPG, Ivo Mottin Demiate, apresentou a experiência acumulada desde 2013 pela universidade em programas de residência técnica e formação profissional, como os Programas Restec e Restec Pop. Além disso, segundo ele, a instituição construiu uma trajetória pioneira na oferta de cursos de graduação e pós-graduação a distância, experiências que serviram de base para a criação do Mais Engenharia.
Demiate explicou que a responsabilidade da UEPG dentro do programa é a condução da especialização em Gestão Pública em Engenharia e Desenvolvimento Sustentável. O curso possui carga horária de 480 horas distribuídas ao longo de 24 meses, organizadas em cinco módulos, além da produção de cadernos técnicos elaborados pelos participantes a partir das demandas reais dos municípios.
Também participaram do painel profissionais que atuam diretamente no Programa. A engenheira Isadora Freitas de Oliveira, bolsista no município de Jardim Alegre, falou de projetos desenvolvidos na cidade, incluindo iniciativas voltadas à educação e à construção utilizando a tecnologia wood frame. Já o engenheiro Vinicius Valota Dartora, bolsista em Piraquara, destacou a aplicação prática dos conhecimentos adquiridos. Segundo ele, o aprendizado em BIM e o incentivo ao uso de novas tecnologias têm contribuído para modernizar a elaboração de projetos e disseminar inovação entre as equipes técnicas das prefeituras, um dos aspectos mais valioso do Programa.
Encerrando o painel, o presidente Clodomir Ascari agradeceu a parceria entre as instituições e destacou o trabalho conjunto que tornou possível a concretização da iniciativa. “Nunca vi um projeto grandioso ser feito por tão poucas pessoas. Somos três instituições muito fortes e, justamente por isso, mesmo com equipes enxutas na concepção e organização, conseguimos colocar em prática um grande projeto”, afirmou.
Os resultados indicam o potencial do Mais Engenharia como modelo de fortalecimento da gestão pública e de ampliação da capacidade técnica dos municípios, demonstrando como a Engenharia pode atuar diretamente na melhoria da qualidade de vida da população e no desenvolvimento sustentável das cidades paranaenses.
Reportagem: Débora Pereira (Crea-PR)
Edição: Beatriz Leal Craveiro (Confea)
Equipe de Comunicação da 81ª Soea
Fotos: Sto Rei e DBrothers/Confea
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